Abril de 2005 

Estava a sair da escola, tinha-me atrasado um pouco com os trabalhos e fora a ultima. Quando sai já não se via vivalma e estava com um pouco de medo. Era um dia chuvoso e estava a começar a anoitecer. E eu era uma criança. 
Enchi-me de coragem e fui em frente, ia para casa, que ficava a cerca de quinhentos metros dali. Afastei-me um pouco da escola e reparei que tinha o cordão desapertado. Aninhei-me e tentei aperta-lo, no entanto não consegui. Quando reparei, tinha parado uma carrinha, um pouco misteriosa, à frente, e saíram de lá três homens. Era um sitio isolado e eu não tinha onde me esconder. 
Fiquei parada. O mais velho aproximou-se de mim e passou-me a mão no rosto, quando eu ia começar a gritar colocou-me a mão em frente da boca e disse-me, calmamente: 
- Tem calma amor, não te vai acontecer nada de mal. 
Eu tremia que nem varas verdes. Ele pôs a sua outra mão nas minhas calças e tentara desaperta-las. Eu sabia que tinha de me defender, sabia que não podia deixa-lo fazer aquilo. Era errado. Então eu abri a boca e ferrei-lhe a mão, e fi-lo com tanta força que pude sentir o sabor a ferrugem do sangue. Quando ele me largou comecei a correr. Sabia que não tinha hipótese que ele me ia apanhar, mas tinha de tentar. Travei-me no cordão e caí, ele aproximava-se cada vez mais. 
Ao longe, avistei uma senhora, já de alguma idade e, depois, reparei que ele parara de me perseguir. Talvez tivesse sido medo. Ainda hoje não sei. Essa senhora não viu o aconteceu, mas sabia que eu não estava bem. E acompanhou-me a casa.


Filipa.

3 comentários:

lu de lúcia disse...

ainda bem :') aqui nunca nos sentimos únicas.
este testemunho é de deixar qualquer pessoa com medo. ainda bem que essa senhora te ajudou :$

lu de lúcia disse...

não dá para te seguir :|

lu de lúcia disse...

fica a saber que se precisares falar estou aqui :$
és tão novinha!